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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O problema dos sinalizadores de segurança para navegadores web



Observe na figura acima um típico spam disfarçado de correspondência comercial. A intenção desse tipo de golpe é, quase sempre, levar o usuário a um endereço falso onde seu computador será infectado automaticamente por um cavalo de troia.

Esse tipo de risco pode ser evitado se o usuário simplesmente recusar-se a clicar em links de emails. A questão é que muitas pessoas são distraídas ou, simplesmente, não têm consciência do risco, e clicam nos links.

É nesse momento que os sinalizadores de segurança para navegadores web deveriam entrar em ação, bloqueando o acesso ao site malicioso. Caso você não saiba do que estou falando, tratam-se de extensões que você instala em seu navegador web que deveriam indicar a segurança de acesso a um website através de um código de cores semelhante ao dos sinais de trânsito: vermelho = site malicioso; amarelo = site com problemas ou ameaças menos graves; verde = site seguro. Na barra lateral deste blog você encontra links para download de diversas opções de sinalizadores de perigo, sendo os mais populares o McAfee SiteAdvisor e o MyWOT.

Na maior parte dos casos, esses programas bloqueiam o acesso do internauta aos endereços identificados como maliciosos (sinal vermelho). O problema é que esses sinalizadores apresentam pelo menos 4 deficiências graves:

1 - São lentos demais na detecção de sites maliciosos. Quando esses sinalizadores finalmente detectam um endereço malicioso, milhares de internautas já terão sido infectados.

2 - São lentos demais na reabilitação de sites limpos. Um site que tenha sido atacado uma única vez pode ter seu domínio sinalizado como "perigoso" por várias semanas após a limpeza, o que causa prejuízos a empreendedores honestos que tenham sido simples vítimas de bandidos.

3 - Bloqueiam um domínio inteiro por causa de um único endereço. Um site legítimo, com centenas ou milhares de páginas legítimas, corre o risco de ser inteiramente bloqueado por causa de um único endereço infectado por hackers.

4 - Definem como confiáveis domínios que contêm páginas maliciosas. Nenhum desses sinalizadores bloqueia domínios como o bit.ly, por exemplo, embora ele seja extensamente utilizado por spammers e bandidos virtuais para escapar ao bloqueio de programas de segurança.

Enfim, esses sinalizadores oferecem apenas uma proteção retroativa, sendo incapazes de proteger o internauta dos sites infectados mais recentemente. Por exemplo, o url contido no email que abre este artigo passou em branco por todas extensões testadas no teste de URLs do site VirusTotal, confira na figura abaixo.



Ou seja, quem confiasse em qualquer uma das 33 extensões testadas pelo VirusTotal estaria agora em maus lençóis. Observe agora o resultado do teste do arquivo baixado nesse endereço.



Apenas 7 entre 44 antivírus foram capazes de detectar a presença do vírus no arquivo infectado. Ou seja, é como sempre dissemos aqui: a única maneira de garantir sua segurança é usar sua inteligência.

Jamais clique em um link enviado a você por email, mesmo que você conheça o remetente. Afinal, o email que você recebeu através do endereço do seu amigo pode não ter sido enviado por ele, mas por um spammer que infectou o computador de seu amigo!

Assim, caso você ache que o link pode conter alguma informação realmente importante para você, copie o endereço e cole no teste de URLs em http://www.virustotal.com/. Mas não se engane caso os sinalizadores de navegação digam que o endereço é "seguro": verifique se o endereço gerou algum download de arquivo e clique no link para conferir a análise do arquivo baixado.

Vale alertar que nem mesmo esse método é totalmente seguro. Alguns spammers incluem em seus email links que, na verdade, redirecionam para outro endereço, escapando até mesmo à análise do VirusTotal. Assim, tenha como regra jamais clicar em links de emails, só adotando este método alternativo em último caso.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Chuva de emails infectados com vírus

Os spammers que chegaram à minha caixa de entrada nas últimas semanas ficaram algum tempo sem apresentar nenhuma tática nova que valesse a pena registrar aqui. Nos últimos dias, porém, recebi uma enxurrada de emails com arquivos HTML anexos. Esses arquivos são páginas da web que, uma vez abertas no seu navegador, executam um programa na linguagem javascript. É esse programa que traz problemas a seu computador, como você pode conferir na página de diagnóstico da McAfee:

Captura de tela do site da McAfee contendo a descrição em linhas gerais do programa malicioso em javascript - clique para ampliar

Esses anexos são perigosos porque, até esta data, somente dois antivírus detectaram esses programas maliciosos, o CLAMAV, um antivírus gratuito para Linux e Windows, e o McAfee GW Edition, como você pode ver a seguir na página do VirusTotal:

Hoje ainda, recebi mais um desses emails. Para variar, a isca é uma notícia "bombástica":


Neste caso, nem precisei recorrer ao VirusTotal, pois os antivírus AVIRA e CLAMAV "pescaram" o anexo malicioso antes de chegar à caixa postal, como você pode ver no código-fonte da mensagem (Tanto o item X-AVIRA-Virus-Flag quanto o X-CLAM-Virus-Flag estão marcados com "Yes"):


 O alerta é claro: não abra arquivos anexos em nenhuma hipótese, nem mesmo quando se tratam de arquivos HTML!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Xuxa não está com gripe suína

Spammers usam a imagem e o nome de pessoas famosas como a Xuxa e o apresentadores Angélica e Luciano Huck para atrair sua atenção


Ao contrário do que diz a mensagem falsa acima, os apresentadores Luciano Huck (e não Luciano "Hulk", como escreveu o spammer) e Angélica também não estão com o vírus da gripe suína.

Por outro lado, se você acreditar que a mensagem veio mesmo do G1, bastará acessar o link para seu computador seja contaminado com um vírus de verdade - o trojan idenficado pelo antivírus AVIRA como TR/Crypt.FKM.Gen.

Esse é apenas um entre muitos casos semelhantes por isso vale a pena chamar sua atenção para o fato de que todo evento importante envolvendo uma celebridade costuma atrair a atenção dos spammers.

Os spammers também acompanham o noticiário e, sempre que alguma notícia mobiliza grande número de pessoas, começam a surgir emails falsos. O spammer promete algum "furo", uma abordagem "exclusiva", um "ângulo especial", alguma informação extra sensacional sobre tema que esteja em voga, sabendo que bastará um clique para infectar sua máquina.

Assim, esteja atento para spams que prometem notícias ou fotos sobre o terremoto no Haiti. Como podem ver, até "notícia velha" como a gripe suína ainda são capazes de atrair a atenção de usuários descuidados, enquanto as notícias "quentes" têm potencial para enganar até usuários mais experientes.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Usando o vírus da gripe suína para espalhar vírus de computador

Hoje recebi um spam muito mais bem feito do que a média, o que me motivou a criar este blog. O objetivo aqui é registrar as observações de quem recebe centenas de spams diariamente praticamente desde que entrei na internet, lá em idos de 1994.

O e-mail chegou com uma aparência bastante convincente, inclusive o nome do remetente fajuto, (os spammers deveriam indenizar todas as pessoas homônimas por dano moral), e trata de um assunto que é do interesse de todos: a prevenção da gripe suína. Veja:

Spam que finge oferecer informações sobre a gripe suína

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É claro que você sabe que não deve clicar em links de e-mails... Não sabe?

Bem, muita gente não sabe. Assim, fui olhar o código-fonte da mensagem:


Código-fonte de mensagem spam, com visualização do cabeçalho
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No cabeçalho imenso, vemos que o spam foi enviado através de um servidor da Locaweb. A Locaweb verificou o e-mail por vírus usando o Clam Antivírus, como se pode ver nestas linhas do cabeçalho:

X-Virus-Scanned: clamav-milter 0.95.1 at hm1707.locaweb.com.br
X-Virus-Status: Clean
X-SPF-Scan-By: smf-spf v2.0.2 - http://smfs.sf.net/

A mensagem apareceu como limpa. Como o spammer conseguiu passar pelo antivírus da Locaweb?

Em primeiro lugar, o URL (isto é, endereço do link) foi codificado e reduzido usando o serviço Bit.ly, muito conhecido de quem usa o Twitter. Esse serviço, do mesmo modo que seu também muito conhecido concorrente TinyURL, oferece a vantagem de reduzir a alguns poucos caracteres endereços longos de páginas web, uma necessidade quando suas comunicações estão limitadas a 140 caracteres. O problema que é esse tipo de URL codificada torna impossível de identificar numa única olhada o endereço original, o que é um prato cheio para spammers.

Para identificar o endereço original, instalei uma extensão no Firefox chamada Bit.ly Preview, que permite visualizar o endereço original no Firefox, ao passar o mouse sobre o link. Veja:

Visualização do link no Bit.ly mostra o nome do arquivo, visualizar.com
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Então, nosso spammer teve trabalho... Prevendo a possibilidade de que alguém quisesse conferir o endereço, ele codificou duas vezes o URL, primeiro usando o serviço URL Split e, em seguida, reduzindo-o a um url curto do Bit.ly. Mas parece que o esforço compensou porque, até o momento em que escrevo estas linhas, o link fajuto já havia recebido mais de 1300 cliques!

Finalmente, resolvi acessar o link. Adivinhe o que aconteceu?

Download de arquivo .com, provavelmente infectado com vírus
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Está aí, um suspeitíssimo arquivo com extensão .com!

Examinei o arquivo com o antivírus AVAST! , com as definições de vírus mais recentes mas esse antivírus não foi capaz de detectar qualquer tipo de malware nesse arquivo. Como, obviamente, trata-se de vírus, podemos supor que se trata ou de uma ameaça de dia zero ou de uma falha no próprio Avast.

Finalmente, enviei o arquivo para análise através do e-mail virus@avast.com e do formulário para envio de amostras de vírus da Symantec:

Formulário para envio de amostras de vírus para a Symantec
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As lições desse caso são claras:

1 - Não clique em URLs cuja origem não seja visível: links do tinyurl e do bit.ly são furada você não puder visualizar o endereço original!

2 - Se não usa o Firefox, faça esse favor a si mesmo e passe a usá-lo. O download é aqui!

3 - Se já usa o Firefox, instale extensões para visualizar URLs codificadas.

4 - Não saia clicando em links que recebeu por e-mail só porque ele parece ser mais bem redigido do que a média ou por tratar de um assunto que parece urgente, importante ou atual.