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domingo, 3 de janeiro de 2016

A falsa sensação de segurança dos softwares antivírus

Você acabou de pagar uma boa quantia pela renovação da licença do seu software antivírus, antispyware, antimalware, ou seja qual for o nome que estejam usando hoje em dia. Se você for um usuário mais exigente e bem informado, é possível que tenha adotado um antivírus de uma determinada marca após extensa pesquisa em sites de fabricantes, críticas de revistas especializadas e testes independentes, além de uma cuidadosa análise da relação benefício/custo.
O malware se instala nas "frestas" que o seu sistema de segurança deixa abertas. 
Imagem: “Malware Internet Represents World Wide Web”  por
Stuart Miles, cortesia de Freedigitalphotos.net
E então, está se sentindo mais seguro? Pois leia este trecho de notícia do G1:
"O pesquisador do Google Tavis Ormandy está analisando a segurança de programas antivírus e anunciou na semana passada que enviará um relatório para a fabricante de antivírus Avast. A empresa é a terceira a receber um comunicado sobre brechas de Ormandy este ano: as outras duas foram a Eset e a Kaspersky Lab e, em ambos os casos, os antivírus tinham brechas críticas.

(...)

Ormandy destacou que os programas antivírus possuem falhas de projeto ao interferirem com componentes do sistema e realizar a leitura de todos os arquivos automaticamente sem utilizar tecnologias que reduzem o impacto de brechas no software. Ele também citou que falhas em antivírus são vendidas no mercado negro de vulnerabilidades."
Nada disso é novidade para quem se interessa a sério por segurança de dados: não existe sistema de segurança que, ele próprio, não contenha vulnerabilidades que precisam ser corrigidas. Mais: não existe sistema de segurança capaz de proteger o usuário contra o próprio comportamento descuidado.

De fato, na melhor das hipóteses, esses programas reduzem a "superfície de ataque", isto é, fecham os pontos vulneráveis mais óbvios de um sistema, evitando os ataques automatizados mais conhecidos. Mas eles pouco ou nada podem fazer contra adversários tão determinados que estejam dispostos a pagar por tecnologias que explorem as vulnerabilidades do próprio sistema de segurança.

Reduzindo a superfície de ataque em sistemas corporativos: infográfico da Kaspersky Labs.

A melhor política de proteção digital pode ser resumida numa simples paráfrase de um famoso aforismo do Templo de Apolo, em Delfos: "Conhece o teu sistema". Quanto melhor você entender o funcionamento do seu computador, quanto mais você souber sobre o que fazem e para que servem os programas instalados em seus dispositivos, mais seguro você estará.

O problema que se coloca para quem usa sistemas Windows é: como, afinal, entender como funciona o sistema operacional Windows se ele tem o seu código-fonte "fechado"? Na verdade essa é, exatamente, a principal falha de segurança do Windows: profissionais de segurança independentes não podem examiná-lo em profundidade, de modo que você precisa confiar cegamente na "maravilhosa equipe de profissionais de segurança" da Microsoft.

O mesmo princípio que vale para o sistema operacional também é válido para todos os programas de código fechado que rodam sobre o Windows, inclusive os softwares antivírus. Quem confiou cegamente na "maravilhosa equipe de profissionais de segurança" da Avast, da ESET e da Kaspersky esteve vulnerável durante um período de tempo impossível de estimar.

Qual será a solução? Mudar para antivírus de outro fabricante? Ora, ao fazer isso, você estará apenas trocando uma vulnerabilidade conhecida por um conjunto de vulnerabilidades desconhecidas!

Para oferecer um testemunho pessoal, estou usando, atualmente, o antivírus ESET em um sistema com Windows 8.1 e posso afirmar que, neste ano de experiência, ele ofereceu uma proteção bastante decente, fazendo o que se espera dele de forma exemplar, de modo que pretendo renovar a licença quando expirar. Porque o ponto mais vulnerável em qualquer sistema, digo e repito, é o comportamento do usuário. Nas ocasiões em que adotei comportamento de risco na internet, não houve antivírus de fabricante nenhum que fosse capaz de impedir a infecção de meu computador. Para ficar num exemplo recente, há pouco mais de dois meses um velho notebook ficou infectado por malware menos de um minuto após a reinstalação do Windows, antes que eu tivesse tempo de baixar um programa antivírus, simplesmente porque cliquei em um resultado de pesquisa Google que levava a um site de malware! Em um sistema Windows, basta um momento de descuido para que um programa malicioso assuma o controle!

Há muitas opções de sistemas operacionais livres, seguros e éticos.
Na imagem acima você vê, em ordem alfabética,  as recomendações do site "Prism-break",
que avalia softwares com base em sua ética,segurança e respeito à privacidade.
Por tudo isso, é que recomendo novamente a todos os leitores deste blog: mantenha um computador alternativo com Debian GNU/Linux* para o seu trabalho sério, reservando sua máquina Windows para games e visitas a redes sociais, de modo a minimizar o dano em caso de infecção por malware. Use esse computador alternativo o máximo que puder e aproveite para estudar o sistema e entender como ele funciona. Você rapidamente descobrirá que:

1 - Segurança é uma filosofia de trabalho que deve fazer parte do projeto do sistema. Um sistema concebido para ser seguro revela esse traço do projeto a cada programa que você usa. Não, os sistemas Debian GNU/Linux não são menos vulneráveis do que os sistemas Windows só porque são "menos usados". Os sistemas Debian GNU/Linux são mais seguros do que os sistemas Windows porque são projetados para ser mais seguros.

2 - Comodidade e Segurança caminham em direções opostas. Um sistema mais seguro tenderá a ser mais "chato" de usar do que um sistema inseguro, envolvendo mais passos, mais confirmações de segurança, mais procedimentos extras do que um sistema cheio de buracos como o Windows. Para entender o motivo, basta pensar nas portas e janelas de sua casa: quanto maior o número de trancas, cadeados e fechaduras que você instalar, mais segura ficará sua casa, porém, você terá muito mais trabalho para entrar e sair.

3 - Não existe substituto para a inteligência. A principal característica de segurança de um sistema Debian GNU/Linux é que ele permite que o usuário tenha tempo para pensar nos riscos que está correndo, para ponderar se realmente "precisa desesperadamente" instalar aquele programa inseguro no próprio computador ou se pode muito bem continuar vivendo sem ele. Enquanto o Windows funciona como um grande "shopping center digital", estimulando a aquisição impulsiva de aplicativos e, portanto, um comportamento digital inseguro, um sistema Debian GNU/Linux o estimula a entender o que está fazendo, a perguntar a si mesmo se realmente precisa daquela solução específica.

4 - Nenhum sistema é seguro apenas por ser Linux. Eu costumo brincar dizendo que o Android é um "sistema operacional Windows baseado em Linux". Como os sistemas que rodam em celulares e tablets precisam ser, obrigatoriamente, muito fáceis de usar, eles são obrigados a incorporar um grande número de vulnerabilidades do Windows em seu projeto. Além disso, a viabilidade econômica dos sistemas Android envolve o estímulo à compra e instalação impulsiva de "apps", transformando-os em "shopping centers digitais" em tudo semelhantes ao Windows, inclusive no grande número de brechas de segurança. De modo análogo, o extremamente popular sistema operacional Ubuntu Linux, embora desenvolvido a partir do Debian GNU/Linux, apresenta diversos inconvenientes de privacidade e falhas de segurança.

5 - Ninguém aprende nada sem estudar. Se você pretende usar um sistema Debian GNU/Linux com o mesmo nível de despreocupação com que usa o Windows, rapidamente desistirá. Para realmente extrair o máximo de um sistema Debian GNU/Linux, você precisará de alguma disposição para estudar e entender como as coisas funcionam. Por outro lado, quanto mais você estudar o Debian GNU/Linux, mais claras se tornarão para você as fraquezas, vulnerabilidades e inconsistências do sistemas Windows.

Em resumo, você não deve confiar nos softwares antivírus como substitutos para o seu conhecimento e sua inteligência. Use-os como um reforço extra destinado a reduzir a "superfície de ataque" ao seu sistemas, mas faça a si mesmo o favor de ignorar os apelos de marketing dos fabricantes de antivírus e cuide de aprimorar sempre a melhor defesa contra os ataques digitais: o seu próprio cérebro.

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NOTA:

* Neste artigo, menciono o Debian GNU/Linux apenas por ser o que conheço melhor, já que o uso em meu computador principal. O Debian GNU/Linux é um sistema operacional com ótima reputação em termos de facilidade de uso, segurança e ética, embora não se possa dizer o mesmo de todos os sistemas "baseados em Debian".

Duas outras distribuições Linux com excelente reputação que já usei em notebooks e que mantenho instaladas em máquinas virtuais para testes e aprendizado são a Fedora e a openSUSE, cada uma delas com seus próprios encantos e problemas, ambas muito seguras e relativamente fáceis de usar.

Uma distribuição que ainda não testei mas que se destaca pela soberba qualidade de sua documentação é a Arch Linux. Sempre recorro ao wikisite do Arch Linux para entender todos os detalhes importantes relativos à segurança de meu computador, mesmo me mantendo fiel ao Debian.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Venda de virgindade por email? É vírus!

O caso da garota que leiloou a virgindade pela internet excitou a imaginação de muita gente, inclusive, para variar, dos spammers. Nesta manhã, recebi um alerta do GMail avisando que um email com a linha de assunto "Vendo Meu Corpo Aparti R$: 49,99" havia sido retido no meu servidor por conter vírus ou anexo suspeito. Confira na imagem a seguir.


Não consigo imaginar porque os spammers acreditam que assassinar a Língua Portuguesa aumentará sua credibilidade ou o resultado de suas campanhas fraudulentas. Enfim, eles devem ter seus motivos para isso. De qualquer forma, fui visitar o webmail do meu servidor para checar a mensagem e os tais "anexos suspeitos".


Observe que estou usando no Firefox uma extensão do Virustotal que permite testar em 44 antivírus qualquer arquivo que você queira baixar antes de fazer o download! Muito melhor do que confiar apenas no seu antivírus local.


O resultado foi até surpreendente. Nada menos do que 22 antivírus (50% do total) identificam o arquivo como um cavalo de tróia, o que mostra que esse golpista, realmente, não é dos mais talentosos.

Enfim, eis algumas dicas de segurança que podem reduzir muito o seu risco diário ao lidar com spam e websites desconhecidos:

  • Use o navegador web Firefox e instale as extensões NoScript e VTZilla para protegê-lo contra scripts e downloads maliciosos. 
  • Configure uma conta no GMail para coletar os emails de seu servidor. Os filtros antispam e antivírus do GMail estão muito mais poderosos do que a média e, como você pode ver neste artigo, vão reter no seu servidor original as mensagens mais arriscadas. Para obter uma explicação completa sobre como coletar as mensagens de suas outras contas, consulte esta página de Ajuda do Gmail.
  • Se você usa Windows, instale o filtro antispam "Spamihilator". Após algumas semanas de uso, até mesmo aqueles poucos spams que o filtro do GMail deixa passar serão retidos no filtro do spami, reduzindo praticamente a zero sua experiência com essas mensagens-lixo.
  • Se você usa Linux, você pode configurar o SpamAssassin em sua própria máquina para triturar spam no Kmail ou no Evolution. Caso você, como eu, prefira uma solução mais leve, fico feliz em dizer que o antispam nativo do Mozilla Thunderbird melhorou muito, obtendo um desempenho comparável ao do SpamAssassin.
Observe que todas as soluções acima são GRÁTIS. Ou seja, não há desculpa para deixar seu computador vulnerável à invasão de mensagens podres enviadas por bandidos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Spam e vírus: esse problema tem solução?

Spam e vírus: nada menos que 18 e-mails infectados em um único dia

A imagem acima mostra a quantidade de e-mails spam infectados com vírus que recebi em um único dia, de acordo com o antivírus CLAMAV.

Na verdade, o número foi muito maior, já que alguns vírus não foram detectados pelo CLAMAV e tive que identificá-los com o AVIRA , AVAST ou AVG.

Houve ainda um caso em que nenhum desses antivírus detectou coisa alguma e precisei recorrer ao site VirusTotal para identificá-lo. Veja a descrição do caso neste perfil de site no McAfee Site Advisor, em que apenas 7 programas antivírus de um total de 41 foram capazes de identificar o cavalo de tróia.

A primeira questão que quero abordar a partir desses resultados é o mito de que usuários Linux "não precisam" de softwares antivírus instalados em suas máquinas.

Para começar, penso que esse é um erro de lógica. O fato de que os sistemas Linux sejam praticamente imunes a vírus se usados com prudência não implica que você não precisa ter um antivírus. Afinal, será que você consegue dormir tranqüilo sabendo que tem todo aquele lixo exibido na imagem livre na sua máquina?

Sinceramente, prefiro saber que, no meu PC, só há código que eu decidi ter, sem nenhuma porcaria maliciosa criada por terceiros.

Em segundo lugar, os sistemas Linux não são à prova de erros, muito menos de erros cometidos por usuários inexperientes ou com pouco conhecimento do sistema.

Terceiro, minha máquina Linux não é uma ilha. A partir do momento em que entro na internet, uso programas de comunicação instantânea, e-mails e compartilhamento de arquivos, minha máquina começa a fazer parte de uma grande Babel de sistemas com as mais variadas configurações. Assim, sou responsável por toda contribuição que eu fizer, ainda que voluntariamente, a esse grande sistema chamado internet.

Todo usuário de computador responsável se preocupa em garantir que essa contribuição não seja ajudar a disseminar vírus ou programas maliciosos, inclusive repassando e-mails com lindos arquivos ou links infectadíssimos.

Há ainda uma segunda questão, que vale para todos os tipos de usuários, independente do sistema operacional.

A segurança de seu computador e de seus dados pessoais e financeiros depende de muito mais do que do antivírus ou pacote de "internet security" que você tenha instalado em sua máquina.

A segurança de seu computador depende, antes de mais nada, de seu bom senso.

Por exemplo, antes de clicar em um link de e-mail, verifique se você conhece a pessoa que o enviou e se há realmente alguma chance de que a mensagem seja autêntica, independente do quanto você acha que seu computador está protegido por todos os firewall, antivírus e antispywares do mundo.

Isso porque muitos dos e-mails que recebemos contém vírus e cavalos de tróia recentíssimos, que provavelmente não serão detectados pelo seu software de segurança. Dependendo do quanto a mensagem do spammer seja convincente, até o mais experiente usuário pode ser enganado em um momento de desatenção.

Por isso, procure informar-se, mantenha-se atento e incentive seus amigos a fazer o mesmo. Porque não tem graça enviar um spam se todo mundo jogá-lo no lixo, não faz sentido criar um cavalo de tróia se ninguém cair no golpe.

A melhor maneira de combater os golpistas é aprendendo a não cair em golpes. E a gente aprende a não cair em golpes com informação, em vez de confiar demais em proteções automáticas que só protegem até o ponto em que o golpista não tenha aprendido a burlá-las.